Acolhimento

Prefeitura amplia vagas e intensifica abordagem social nos dias mais frios

Secretaria de Assistência Social aumentou de 52 para 82 as vagas na Casa de Passagem e poderá ampliar ainda mais para que as pessoas não durmam na rua

Atualmente, 361 pessoas vivem nas ruas de Pelotas. Esse número cresceu durante a pandemia, com as dificuldades de todo tipo, causadas pela crise sanitária. Com a chegada dos dias mais frios do ano, também aumentou o trabalho e a pressa dos servidores da Secretaria de Assistência Social (SAS) e dos voluntários das ONGs que trabalham em parceria com a prefeitura _ Gesto e Vale a Vida _ para direcionar essas pessoas a locais mais seguros. Para tanto, foram ampliadas as vagas da Casa de Passagem, onde quem vive em situação de rua têm acesso a banho, alimentação e a uma cama limpa e quentinha. As 52 vagas foram ampliadas para 82 no Cras São Gonçalo e, se necessário, serão abertas outras no Centro Pop.

Abordagem Social

A abordagem é feita durante o dia pela equipe do Centro Pop e pelas ONGs, para tentar convencer as pessoas em situação de rua a irem para a Casa de Passagem, que abre as portas às 19h. De domingo a domingo, às 22h, após o acolhimento de quem foi sozinho até lá, a própria equipe da casa faz ronda pelas ruas e conduz quem aceita ir para o abrigo. O trabalho segue até o começo da madrugada.

Os profissionais ouvem os usuários e acabam criando vínculos com a população. Passam a se conhecer pelo nome, sabem suas histórias de vida. Dificilmente conseguem convencer uma pessoa a aceitar o acolhimento na primeira abordagem. Isso, geralmente, acontece na terceira ou quarta tentativa.

No dia seguinte, às 7h, os usuários da assistência social recebem um café reforçado e são encaminhados para os serviços adequados, como o Centro Pop e o Consultório na Rua, que promovem o acesso à rede de serviços socioassistenciais, de saúde e das demais políticas públicas que garantam seus direitos. Quem estiver doente ou tiver deficiências físicas pode permanecer no espaço durante o dia.

O titular da SAS, José Olavo Passos, diz que as pessoas são convidadas, motivadas a ir para a Casa de Passagem, mas não são obrigadas, pois "ficar na rua é um direito" e ninguém pode tirá-las à força se não houver qualquer atitude ilegal por parte delas. Ele diz que, pela avaliação feita pelos técnicos, a maioria das pessoas em situação de rua que não aceita ir para o abrigo tem medo de perder o espaço conquistado na via pública. Nos seus lugares, já ganharam a confiança dos moradores locais e recebem doações que os ajuda a se manter. Ao saírem, outros podem ocupar o lugar.

Usuários

Das 52 pessoas que dormiram na Casa de Passagem, na quarta-feira, dia 30, 51 procuraram o serviço e uma foi levada pela equipe que fazia a ronda à noite. Entre todos, oito eram mulheres. A maioria tem idades entre 35 e 45 anos, mas já foram atendidas pessoas de até 83 anos.

O que dizem os usuários?

Por volta das 23h de quarta-feira, Paulo foi encontrado deitado em frente ao Pronto-Socorro e convidado pelo educador social Carlos Eduardo Garcia a dormir na Casa de Passagem. Ele é conhecido da equipe e aceitou o convite. Prontamente, recolheu seus pertences da calçada, com o auxílio de Carlos, e entrou no veículo. O cuidador de carros Vítor, de 32 anos, decidiu não ir para a Casa naquela noite. No entanto, elogiou a forma respeitosa com que foi abordado. "Na paz e no amor, nós vamos", afirmou.

"A gente não critica eles. Esse não é o nosso trabalho", apontou Garcia, que destacou a importância de não julgar, mas, sim, de prestar a assistência que as pessoas em situação de rua precisam. Nas abordagens, o técnico senta com as pessoas e conversa o máximo possível. "É tudo construído. Tem que ter o lado humano acima de tudo, não só o profissional", detalhou.

Centro Pop

No Centro Pop, além de oportunizar acesso à higiene e à alimentação, a equipe ajuda na emissão de documentos, na reinserção social e familiar, no cadastro de direitos, no encaminhamento para serviços de saúde e também a traçar novos planos para a vida de cada um. Ao contrário do que se pensa, o objetivo dos serviços não é "limpar as ruas", mas garantir direitos a pessoas que, muitas vezes, perderam tudo.

Tempo de permanência

Em situações normais, cada pessoa pode usar a Casa de Passagem por até três meses. Espera-se que, nesse período, seja possível reinserir os usuários em suas famílias ou encontrar outras soluções, como a busca por trabalho ou benefícios sociais. Durante a pandemia, no entanto, essa regra não está sendo utilizada, podendo o usuário permanecer no local por tempo indeterminado, enquanto precisar.

Como ajudar?

Devido ao aumento da necessidade de acolhimento e ao frio intenso registrado nos últimos dias, o serviço está precisando, urgentemente, de doações de roupas quentes, especialmente masculinas, cobertores e travesseiros. As peças podem ser entregues na Secretaria, à rua Marechal Deodoro, 404, das 8 às 17h. Quem encontrar dificuldades para se deslocar até o endereço pode entrar em contato pelo telefone (53) 3309-3600 ou pelo WhatsApp (53) 3309-3640, para que a equipe busque as doações quando possível, dentro da escala de saídas.

O mesmo endereço e telefone podem ser utilizados para quem quiser fazer doações de alimentos ou de itens para a Campanha do Agasalho.

Como pedir ajuda?

Pessoas que se encontram em situação de rua, ou que conhecem alguém que precisa de ajuda, podem entrar em contato com o Centro Pop, das 8 às 17h, pelo telefone (53) 3222-1587. As abordagens são feitas todas as noites.

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